
Carlos Reinaldo de Souza
O HOMENAGEADO
Carlos reinaldo,
A ESCRITA DE LETRAS E BORBOLETAS
Paulo Antunes
Ator, escritor, professor, Mestre em Letras (Linguagem, Cultura e Discurso)

Humanidade é o real significado do nome próprio Carlos Reinaldo. Médico, escritor... Sua bagagem cultural e de atividades coletivas comporta sempre reticências, esses três pontinhos mágicos, escadas para o infinito, essa coisa distante que ele vê com seu olhar terno e compadecido. Sim, possui formas diferenciadas de olhar as pessoas e o mundo, modos gigantes. Quem o vê passando nas ruas, praças, avenidas – elegância discreta e leve –, distraído, às vezes não percebe seu coração que pulsa em favor do que é bom e está em constante tentativa de ver o mundo de forma melhor. Ah!, esses sonhadores que inundam a vida de verde e branco.
Em um sábado tórrido no fevereiro de 2025, gestou mais um livro: BorboLETRAS. Só o nome já é um referencial poético insinuando a agradável vertigem do voo nas letras e, obviamente, também nas borboletas. É obra mar se oferecendo para agasalhar o mergulho de qualquer leitor, pois suas ondas reverberam um silêncio meio toque de sino de templo budista, meio toque de sino de igreja barroca, meio luz, meio sombra acolhedora. Horizonte para a busca do equilíbrio.
Dizem que é bom ter “borboletas na barriga”. Também agradável é ter livros leves e desmaiados no colo. A fusão das letras e borboletas afugenta os males do físico e da alma. E Carlos, como aprimorado médico e escritor, sabe misturar bem essas coisas em rito de sagrada alquimia. Então, o milagre acontece: a clareza das epifanias.
Mas o doutor faz sempre mais. Possui outras obras lançadas e as vende e distribui com a generosidade de um altruísta invisível do qual a gente percebe a energia positiva mesmo a anos luz de distância. E, falando-se em doutor, médico, não há ninguém que não reconheça as doses de bondade com que durante toda sua vida dedicou ao exercício da medicina, sendo luz para os desamparados, sendo aquele médico que vai de casa em casa atender gratuitamente às gentes menos favorecidas.
Este ano o FACE pegou emprestado para nomear o troféu um homem que, mais que médico e escritor, aprendeu desde sempre o que é de fato ser um Ser Humano, com maiúsculas e com estrelas na mão para soltar no ar. É luz na entrada e no fim do túnel. O resto é silêncio.